Publicado por: Fabiano de Queiroz | junho 10, 2008

Gibis: importância, influência, paixão e preconceito

Gibis, histórias em quadrinhos, HQ´s, revistinhas. Legítimo mundo mágico, visto como infantil por muitos, cercado de preconceitos de todos os lados, mas detentor do coração de tantos que cresceram lendo as histórias visuais. Impossível caracterizar uma revista em quadrinhos de forma monocórdia, já que existem tantos tipos de histórias disponíveis, desde as mais infantis e supostamente ingênuas, até os quadrinhos adultos, que contém sexo, violência ou a mais pura filosofia.

Esse artigo não tem nada de acadêmico, nem quer desfazer mitos. É só uma pequena homenagem às revistas que fazem ou fizeram parte da formação de tantas pessoas mundo afora. Gibis que ensinaram a ler, a escrever e a entender melhor o mundo. Gibis que não são melhores nem piores que os livros. São, literalmente, diferentes. São visuais, e por isso mesmo, ótimos para a formação de novos leitores. Pois é difícil imaginar uma maneira tão divertida de aprender a ler, que não seja através de imagens e histórias. E mais difícil ainda nos dias atuais e tão visualmente apelativos, já que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Que o digam os publicitários…

Mas não é pensando no futuro dos publicitários, que eu creio serem as HQ´s uma ótima fonte de trabalho pedagógico. Por experiência própria, gibis são interessantes na formação da VONTADE de ler, da VONTADE de escrever (e desenhar, obviamente), além de facilitar esse entendimento dinâmico entre texto, imagens e cores, tão vital em tempos internautas. Pois um bom internauta lida com essa multiplicidade de características. O texto não é mais SOMENTE um mero texto. Ele vem acompanhado de cores, de traços, de idéias subjetivas. O gibi, de certa forma, antecipou isso, mesmo que insconscientemente. Ironias da vida… o gibizinho sempre foi vítima de críticas ferrenhas dos “acadêmicos”, esses doutores fabulosos e teóricos que raramente fazem algo efetivamente útil pela sociedade… (não me refiro aos pesquisadores, obviamente, muitos dos quais trabalham e atual pela sociedade).

Bem, voltando ao tema, eu basicamente comecei a ler e a escrever através dos gibis da turma da Mônica e da Disney. Foram momentos tão mágicos que ainda lembro com carinho de algumas das primeiras histórias que li. E acabei me tornando um colecionador. Infelizmente, devido ao pouco espaço disponível em casa, não pude ampliar essa coleção… acabei até me desfazendo de parte dela (com muita dor no coração. Só um verdadeiro colecionador sabe como é). Mas ainda tenho pilhas de revistas guardadas. Percebe-se, hoje, que os gibis já não são mais tão populares. A diversidade de opções de mídia vem pulverizando os gostos pessoais. As vendas caíram, e em alguns casos, a qualidade também. No Brasil, ainda temos uma linha forte da Mônica, além de algumas adaptações a serem lançadas pelo criador da dentuça (um mangá da turminha parece ser o mais notável). Na Disney, ao menos no Brasil, a decadência é óbvia. Entre os fãs de heróis, Marvel e DC vão bem, obrigado, melhor representados do que na época em que eram editados pela Abril.

O que mais me preocupa na educação é a falta de leitura. Você percebe claramente quem lê e quem não lê pelo simples ato da abertura da boca. Uma pessoa fala e escreve conforme o treino recebido. É difícil uma criança gostar de ler, se os pais não o incentiva, ou se a leitura na escola é realizada de maneira maçante. Mesmo incentivando, hoje não é muito fácil convencer um jovem a pegar um livro… mas é perfeitamente possível. Um filme como o Homem de Ferro pode influenciar um adolescente a procurar por histórias do personagem, nos quadrinhos. Já é leitura. Quem assistiu ao (péssimo) Código da Vinci pode ter se inspirado para ler o (ótimo) livro de Dan Brown. O simples fato de gostar de auto-ajuda, ou de livros de autores como Paulo Coelho, é um incentivo. O que não pode acontecer é a pessoa ficar nisso e não evoluir, naturalmente.

Existem HQ´s bastante complexas e pesadas, com histórias dotadas de alta carga dramática e roteiros intrincados. Não são os mais indicados para crianças, mas são também uma evolução aos passos iniciais. E esses passos iniciais podem ser aqueles universais, das historinhas da Mônica, Cebolinha, Chico Bento… inclusive, acho válido utilizar as histórias do Chico ou do índio Papa-Capim em aulas de educação ambiental.

Aos críticos do linguajar de Chico Bento e Urtigão, uma sugestão: usem esses textos com as crianças. Ajudem a criança a “corrigir” tais textos, tomando o óbvio cuidado de não incutir preconceitos linguísticos. Pois o idioma não vive em uma redoma intransponível, e a “norma culta” só tem valor mesmo para textos comerciais ou acadêmicos. Ou melhor, tem valor em qualquer situação, é claro, mas no dia-a-dia, as pessoas não tendem a falar de forma empolada, ou tão correta, a não ser em grupos restritos.

E a melhor maneira de falar e escrever de forma correta e criativa é… lendo. E lendo muito! Fico psicótico com pais que não incentivam a leitura em casa. Com professores que priorizam a gramática, em detrimento do texto. Com pessoas que dão declarações públicas, dizendo que odeiam ler (há momentos em que o silêncio é o melhor remédio). Mas também sei que bons leitores têm uma clara vantagem competitiva no mercado de trabalho.Um “vai í” ou um “nóis vai” durante uma entrevista de emprego é morte certa. Escrever “já vouto” ou “estol aqui” no msn pode causar calafrios em algumas pessoas. E causa mesmo, pois é um crime contra o idioma… o interessante é que assassinar a língua é comum no Brasil, mas quando entramos em fóruns de outros países, percebemos um cuidado muito maior por parte dos frequentadores. Entro em fóruns cujos principais idiomas são o espanhol e o inglês, de vez em quando, e noto que existe um respeito bem maior pelo idioma materno. E mais, muito mais, acredito que as pessoas naturalmente escrevem melhor, pois foram melhor educadas e incentivadas.

Então, basicamente, não tenho respostas para as causas de tantos estupros linguísticos (sem trema, já que ela vai cair mesmo), mas é óbvio que a solução passa pela educação. E falar em educação no Brasil é até um tanto cansativo. Ser pró-ativo aqui é uma questão de sobrevivência. Estude por conta, leia muito, e não deixe seus filhos se tornarem analfabetos funcionais, como tanta gente por aí.

Criança precisa de motivação, de dinamismo. Desligue a TV, leia um gibi com ela. Saia do orkut, vá ler um livro! A inclusão digital não tem como objetivo o emburrecimento progressivo da população, mas a sensação que se tem é essa, em uma rápida olhada nos perfis de sites de relacionamento, como o Orkut (até já é famosa a série “pérolas do orkut”, que roda pelos e-mails Brasil afora). E tudo isso é apenas… falta de leitura!

Que falta faz a Mônica!

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Responses

  1. [...] Visto no blog Roda e Inova [...]

  2. achei horrivel

  3. muitoo bom gostei do que li..
    estou montando um seminario sobre
    HQs e me ajudou bastante!!!
    PARABÉNS!

  4. Sou colecionador de hqs, dou aula no +Educação e procurei no Google “a importância dos gibis”, e achei este ótimo texto. Vou passar p/ meus alunos. E sobre escreverem cada vez mais errado, é muito absurdo que leio, péssimas ortografia e caligrafia, infelizmente! Se possível entre em contato p/ trocarmos idéias. Valeu!

  5. burrrrrrrrros

  6. que bosta é essa


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