Sobre o livro “Jornalismo canalha”, citado no post de 15 de junho, eu posso dizer que recomendo. Por vários motivos: muita gente (a grande maioria) lê jornais e revistas ou assiste televisão sem perceber o que há por trás do que se diz e escreve. Não passa pela cabeça das pessoas que há diversos componentes ideológicos em uma simples pauta ou na composição de uma primeira página. Não que isso signifique que há um “plano macabro de dominação do mundo” por parte do dono do meio de comunicação, mas quer dizer, em essência, que esse mesmo senhor pode ter motivações pessoais / profissionais (para não dizer financeiras) para veicular determinadas matérias usando certas palavras, ao invés de outras que poderiam descrever a situação de forma mais real. No livro, há vários exemplos e casos do gênero. A forma como o MST é tratado pela grande mídia, sem que haja qualquer abordagem do que ocorre dentro do movimento, é um exemplo bastante claro. Assim como a maneira que se coloca a “questão Palestina”, muitas vezes se invertendo as responsabilidades sobre certos atos considerados terroristas.
Acredito que nós, bibliotecários, temos obrigação de ler e ver com uma nuance clínica, não se deixando levar pelo produto belamente embalado, e espalhando notícias da forma como as recebemos. É fundamental peneirar, estudar, captar a essência do que nos é transmitido pelos meios massivos de comunicação. Percebo pelas próprias listas de bibliotecários que há muita gente acreditando em contos de fadas em nossa área. Atenção, cuidado e muita leitura são minhas recomendações básicas.
Até o mais bem-intencionado dos jornalistas jamais vai conseguir ser absolutamente parcial… cada escolha dentro de um texto vai refletir algo. Essa do MST já começa pelo modo de relatar o ocorrido: uma ocupação ou uma invasão?Aí já diz tudo…
Agora, aí tem o outro lado da questão: já tem gente achando q só pq a mídia é do jeito que é, não se deve ler, ou ainda, “não leia Veja, leia Caros amigos” resumindo: não leia tal posição partidária, mas leia outra q tb faz propaganda só que de outra coisa…
Em suma, isso aí q vc disse: ler com os olhos clínicos. Não só vcs bibliotecários, todo mundo. Isso deveria ser trabalhado na escola, mas infelizmente, sabemos que interpretação de texto é uma grande fraqueza nacional( as pessoas pecam pq não sabem interpretar),se ler o básico já fica difícil, imagina então notar a manipulação…
Por: Estela em Junho 28, 2008
às 7:28 pm
correção: jamais vai conseguir ser absolutamente imparcial.
Por: Estela em Junho 28, 2008
às 7:30 pm